Ego Wars: A academia contra-ataca

Ah, o Oscar. A noite que todos os fãs de cinema esperam simplesmente para aporrinhar  a academia. Mas dessa vez, ela deu motivos.

É meio ridículo pensar no Oscar hoje como um prêmio realmente válido em questão de qualidade. O cara que ganha geralmente não é o cara que tem o melhor filme, e sim o cara que tem mais amigos, mais contatos. Uma prova claríssima disso, foi o Oscar de 2010: Guerra ao Terror matou os bonecões azuis de James Cameron, fazendo o cara perder pra ex-mulher na frente do mundo todo. Não estou dizendo que Avatar é melhor que o filme sobre os desarmadores de bombas, muito pelo contrário, mas o ponto é que  quantos filmes foram influenciados por Guerra? E quantos pelos Smurfs de Cameron? A industria já sabia disso naquela época, enquanto Avatar era filmado todas as empresas já estavam com os olhos no novo 3D milagroso do diretor de Titanic.

Mas tem um ponto muito importante aí, o cara se auto denomina “Rei do mundo”. Quando Cameron veio ao Brasil em 2010, tive a oportunidade de tietar o homem, e uma coisa tenho a dizer: ele é mala. Enquanto o elenco do filme foi super simpático, tirou fotos e conversou comigo, quando eu perguntei se ele podia parar por um segundo, ele me respondeu um simples “I’m sure that I don’t have time for this” (Com certeza eu não tenho tempo pra isso). Não estou dizendo que sou importante bagarai então ele devia ter parado pra falar comigo, não é isso. Só que será que ele é assim só com os fãs? O que eu estou querendo dizer é: se você não tiver cuidado, você cria inimigos dentro da academia, e tem coisa pior do que tomar pau da ex-mulher? (E convenhamos, ninguém caiu naquela de que ele estava torcendo por ela né? Bitch, please!)

Se você ainda não entendeu meu ponto, vou tentar explicar de maneira quase que minimalista como funciona a escolha dos vencedores. A academia é composta por várias pessoas, de diversas áreas que trabalham, ou já trabalharam na  indústria cinematográfica. Essas pessoas votam em cada categoria, os votos são contabilizados e  é registrado o vencedor, lindo né? Não. O problema é que as pessoas que trabalham com cinema não tem tempo de ir ao cinema. Pode parecer paradoxo mas é a mais pura verdade. Então os votos vão sempre para os amigos, para os filmes bons que eles conseguiram arranjar um tempo pra ver, ou para os longas e curtas que fizeram uma premier em Paris com tudo pago e champanhe caro à vontade.

Bom, mas o ano de 2010 foi só um exemplo, em 2012 não faltaram situações iguais, ou eu preciso realmente comentar o caso Muppets vs Rio? Ou até mesmo em 1976, quando Spilberg não foi indicado a melhor diretor por Tubarão, como o vídeo abaixo escancara a indignação do dono do E.T..

 

A única coisa que eu tenho a dizer é que é uma pena, um prêmio que tinha tudo pra dar certo, com o apoio de uma das maiores indústrias do planeta, acaba tropeçando nos méritos por conta dos egos. And the Oscar goes to…. hope, just hope.

Et l’Oscar est attribué à…

O Oscar 2012, ou como os pseudo-cults gostam de falar: o 84º Academy Awards. A festa que já foi eleita uma das mais chatas nos últimos anos, mas agora com certeza agitou… a Europa.

O ponto é que a premiação foi muito mais francesa do que estado-unidense. Os dois filmes que raparam geral foram: O Artista, filme mudo-francês que levou nada menos que as estatuetas mais importantes da noite (Melhor filme, Melhor ator, Melhor diretor) além mais outras duas técnicas (Melhor figurino e Melhor Trilha Sonora Original) somando 5 estatuetas; assim como Hugo Cabret, que levou 5 homenzinhos nas categorias mais técnicas (Efeitos Visuais, Fotografia, Direção de Arte, Edição de Som e Mixagem de Som). E adivinha só onde se passa o segundo filme? 5 pontos para a Grifinória se você falou França.

E as ligações com a terra do Croissant não pararam aí, quase todas as indicações tinham algo relacionado ao français. Por exemplo, o melhor roteiro adaptado foi para: Meia noite em… Paris. Um dos indicados à melhor animação foi Um Gato em… Paris. E basicamente todas as outras categorias tinham ou Hugo, ou o Artista indicados, isso quando os dois não competiam entre si. Hugo dominava as indicações, concorrendo a 11 estatuetas. A coisa tava num nível que certeza que serviram escargot no after party.

Bom, mas a lesminha da festa com certeza foi Brad Pitt: Moneyball foi indicado 6 vezes e não ganhou nenhuma. Ossos do oficio, Mr. Durden.

A lista dos indicados e premiados, feita pelo Omelete é essa aqui:

Melhor filme

  • O Artista
  • Os Descendentes
  • A Árvore da Vida
  • Histórias Cruzadas
  • A Invenção de Hugo Cabret
  • O Homem Que Mudou o Jogo
  • Cavalo de Guerra
  • Meia-Noite em Paris
  • Tão Perto e Tão Forte

Melhor ator

  • Jean Dujardin – O Artista
  • George Clooney – Os Descendentes
  • Brad Pitt – O Homem Que Mudou o Jogo
  • Demián Bichir – A Better Life
  • Gary Oldman – O Espião que Sabia Demais

Melhor atriz

  • Meryl Streep – A Dama de Ferro
  • Glenn Close – Albert Nobbs
  • Viola Davis – Histórias Cruzadas
  • Rooney Mara – Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres
  • Michelle Williams – Sete Dias com Marilyn

Melhor ator coadjuvante

  • Christopher Plummer – Toda Forma de Amor
  • Kenneth Branagh –Sete Dias com Marilyn
  • Nick Nolte – Guerreiro
  • Max Von Sidow – Tão Perto e Tão Forte
  • Jonah Hill – O Homem Que Mudou o Jogo

Melhor atriz coadjuvante

  • Octavia Spencer – Histórias Cruzadas
  • Bérénice Bejo – O Artista
  • Jessica Chastain – Histórias Cruzadas
  • Janet McTeer – Albert Nobbs
  • Melissa McCarthy – Missão Madrinha de Casamento

Melhor diretor

  • Michel Hazanivicous – O Artista
  • Woody Allen – Meia-Noite em Paris
  • Terrence Malick – A Árvore da Vida
  • Alexander Payne – Os Descendentes
  • Martin Scorsese – A Invenção de Hugo Cabret

Melhor roteiro adaptado

  • Os Descendentes
  • A Invenção de Hugo Cabret
  • Tudo pelo Poder
  • O Espião que Sabia Demais
  • O Homem Que Mudou o Jogo

Melhor roteiro original

  • Meia-Noite em Paris
  • O Artista
  • Margin Call – O Dia Antes do Fim
  • Missão Madrinha de Casamento
  • A Separação

Melhor filme em lingua estrangeira

  • A Separação (Irã)
  • Bullhead (Bélgica)
  • Monsieur Lazhar (Canadá)
  • Footnote (Israel)
  • In Darkness (Polônia)

Melhor longa animado

  • Rango
  • Gato de Botas
  • Kung Fu Panda 2
  • Um Gato em Paris
  • Chico & Rita

Melhor trilha sonora original

  • O Artista
  • As Aventuras de Tintim
  • O Espião que Sabia Demais
  • A Invenção de Hugo Cabret
  • Cavalo de Guerra

Melhor canção original

  • “Man or Muppet” – Os Muppets
  • “Real in Rio” – Rio

Melhores efeitos visuais

  • A Invenção de Hugo Cabret
  • Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2
  • Gigantes de Aço
  • Planeta dos Macacos – A Origem
  • Transformers: O Lado Oculto da Lua

Melhor maquiagem

  • A Dama de Ferro
  • Albert Nobbs
  • Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2

Melhor fotografia

  • A Invenção de Hugo Cabret
  • Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres
  • O Artista
  • A Árvore da Vida
  • Cavalo de Guerra

Melhor figurino

  • O Artista
  • Anônimo
  • A Invenção de Hugo Cabret
  • Jane Eyre
  • W.E. – O Romance do Século

Melhor direção de arte

  • A Invenção de Hugo Cabret
  • O Artista
  • Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2
  • Cavalo de Guerra

Melhor documentário

  • Undefeated
  • Hell and Back Again
  • If a Tree Falls
  • Paradise Lost 3: Purgatory
  • Pina

Melhor documentário de curta-metragem

  • Saving Face
  • God is the Bigger Elvis
  • The Barber of Birmingham: Foot Soldier of the Civil Rights Movement
  • Incident in New Baghdad
  • The Tsunami and the Cherry
  • Blossom

Melhor montagem

  • Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres
  • Os Descendentes
  • O Artista
  • O Homem Que Mudou o Jogo
  • A Invenção de Hugo Cabret

Melhor curta

  • The Shore
  • Pentecost
  • Raju
  • Time Freak
  • Tuba Atlantic

Melhor curta animado

  • The Fantastic Flying Books of Mister Morris Lessmore
  • Dimanche
  • La Luna
  • A Morning Stroll
  • Wild Life

Melhor edição de som

  • A Invenção de Hugo Cabret
  • Drive
  • Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres
  • Cavalo de Guerra
  • Transformers: O Lado Oculto da Lua

Melhor mixagem de som

  • A Invenção de Hugo Cabret
  • Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres
  • Cavalo de Guerra
  • Transformers: O Lado Oculto da Lua
  • O Homem Que Mudou o Jogo

168 Horas… de Vera

Pedra, papel ou tesoura? Essa pergunta persegue um cara há alguns anos. Mais precisamente em meados de 2003, um cara ficou preso por mais de 5 dias por uma rocha, dentro de uma brecha no Grand Canyon. Uma rocha dentro de uma rocha… Inception? Nopes, meus caros Veras, essa é a premissa de outro dos indicados ao homenzinho dourado: é a premissa de 127 Horas.

Você deve estar pensando “Ok, mas o que um filme de um cara preso por causa de uma pedra vai ter de interressante?”. E a respsta é simples: nada. E justamente essa é a magia de 127 Horas, mas como eu já disse, dicas para filmes só de sexta feira aqui no Vera, então não vou falar especificamente sobre o filme, e sim sobre uma coisa muito, eu disse MUITO mais foda. O fato do filme ser baseado em fatos REAIS!

Agora isso não deve ser novidade pra você, mas tenta lembrar da primeira vez que você ouviu isso… tem noção do quão absurdo é? Um cara, 5 dias, no meio de um rochedo… é o tipo de coisa que a gente não vê sempre que vai fazer trilha em Campos do Jordão, right? E deve ser justamente por isso que o Danny Boyle, diretor (muito competente por sinal, mas relaxe, comentaremos em algumas sextas sobre ele), escolheu para ser a história do seu novo filme.

Mas vou ao ponto que me deu a inspiração de fazer esse post. Navegando pelo youtube me bateu uma dúvida: “E os vídeos que ele gravou? Cadê?”. Como todo bom cinéfilo, precisava ver como eram as gravações reais em comparação com as do longa. E as palavras FUCK HOLLY SHIT! pularam da minha boca, quando eu vi a comparação. Pra falar a verdade, foi bem mais simples do que eu imaginei, poucos minutinhos buscando e surgiu na minha frente um video que, justamente, comparava a fita real e a gravada por James Franco (que por sinal atua demais nesse filme).

Além desse video, eu encontrei também um documentário feito pela NBC, bem antes do filme do ano passado, que conta a história toda pela boca do próprio aventureiro. Mas já deixo claro que se vc não assistiu o filme indicado ao Oscar, eu não recomendo esse daqui, até porque logo no primeiro take do programa da NBC, já é mostrado o final do filme de Boyle.






Bom, eu sei que as horas passaram um pouco, mas mesmo assim deixei o titulo pra comemorar e agradecer a quantidade de visitantes que tivemos nessa semana. 😉

Dica da semana: Exit Trough The Gift Shop

Wazz up guys? Esses dias eu andei conversando com uns amigos que pediram pra eu escrever listas de filmes para eles assistirem, enquanto escrevia pensei “Uooou, isso daria um post!”. E cá estou eu. Só que não vou dar de lambuja uma lista pronta não, vou soltar um filme que você deveria ver por semana, pra você poder passar o fim de semana como um bom conhecedor de filmes, vai poder até tirar onda falando de uns diretores que ninguém viu, mas todo mundo já ouviu falar. Vou tentar lançar aqui um post sobre algum filme toda sexta, hoje é uma exceção justamente pelo amado/odiado dia dos namorados. Deixei para os lobos solitários assistirem algo decente, enquanto os pombinhos alheios colocam qualquer filme só pra abafar sons ;).

Anyway, vou começar a falar do filme antes que parem de ler! O filme dessa semana se chama “Exit Trough The Gift Shop“, é do ano de 2010, e dirigido por ninguém mais ninguém menos que Banksy. Se você nunca ouviu falar do cara, don’t worry, nada que uma googlada basica num te ajude… mas dá pra resumir falando que o cara é um dos grafiteiros mais surtados dos ultimos tempos. Pra você ter noção hoje existem obras dele a preços astronomicos, e ele até fez uma abertura pros Simpsons:

… o site dele é esse : http://www.banksy.co.uk/

A história do filme gira em torno Thiery, um francês que se muda para Los Angeles, e tem a mania de filmar tudo que encontra pela frente, acaba se envolvendo com a arte de rua e encontra o famoso Banksy. O foda do filme não é a narrativa em si, e sim que o filme segue uma linha de documentário, e que você tem que desconfiar de tudo do que dizem, afinal, conforme você vai conhecendo sobre Banksy, você começa a perceber que pode estar sendo a mais nova piada dele. Mas mesmo que tudo não passe de uma gigantesca piada, vale muito a pena ser feito de bobo, pra conferir as gravações de alguns dos grafites mais insanos que já fizeram (e quando eu digo insanos, eu quero dizer Banksy grafitando na faixa de gaza, no muro mais famoso do planeta… é esse mesmo que você está pensando; ou quando eles fazem um manifesto sobre Guantanámo, em plena Disneyland)
Enfim filme recomendadissímo, principalmente para aqueles que tem um espirito meio non-sense/anarquista que nem eu. O filme foi indicado ao Oscar de melhor documentário, esse ano, e dizem as más linguas que só não levou a estatueta pelo fato de ninguém saber se é só mais uma brincadeira … e você, vai acreditar ou não?