Por que lembrar do dia cinco de novembro ?

“Remember, remember, the 5th of november
The gunpowder, treason and plot;
I know of no reason, why the gunpowder treason
Should ever be forgot”

Quatro linhas. Quatro linhas que soam simples, curtas e sonoras. Nada de mais se essas quatro linhas não tivessem inspirado uma das Graphic Novels mais importantes já feitas, que por sua vez levaram a criação de um filme que marcou uma geração e serviu de símbolo para a que a população se revoltasse, se unisse, derrubasse ditadores, presidentes, e – no caso do Brasil – fosse às ruas no depois de mais de vinte anos.

A canção , que poderia ser traduzida como algo parecido com ” Lembrem, lembrem do v_for_vendettacinco de novembro. A pólvora, traição e a conspiração . Eu não vejo razão pela qual a conspiração da pólvora. Deveria ser esquecida.”  cita a Conspiração da Pólvora, evento histórico onde católicos tentaram explodir o parlamento inglês em 1605 , matando todos os que ali estavam presentes, incluindo o rei da época, Jaime VI & I. Entre os participantes da ação estava Guy Fawkes, soldado responsável pela pólvora que dá nome à conspiração e que explodiria o alvo, porém, a ação foi descoberta, Fawkes foi encontrado, preso, torturado e entregou seus comparsas antes de morrer. O principal dessa história, porém, é que apesar de Fawkes ter morrido 300 anos antes da invenção da fotografia, seu rosto é fotografado e filmado milhares, milhões de vezes por dia. Fawkes é o nome por trás de alguns apelidos que tomaram seu rosto emprestado na última década, entre os mais famosos estão V e consequentemente Anonymous.

O escritor inglês Alan Moore usou a história da Conspiração como fundo de um futuro distópico onde se passa a trama de V de Vingança. Na HQ, V é um ex-prisioneiro de um regime fascista do final do século XX, que pós ser usado como cobaia,  tem seu corpo e sua mente alterados, buscando vingança com aqueles que lhe causaram sofrimento. Personagem anárquico e acido utiliza uma máscara que representa Guy Fawkes, e tem como plano justamente explodir o parlamento londrino no dia cinco de novembro. A Graphic Novel, publicada pela Vertigo conquistou critica, público e rendeu filme em 2005, que com algumas adaptações na trama apresentou o texto de Moore para um público não habituado aos quadrinhos,  espalhando as ideias de V.  Em uma das cenas finais do filme, V distribuiu máscaras como a sua para a população, que sai às ruas lutando contra a ditadura que lhes cercava. Essa imagem  de milhares de mascarados pelas ruas de Londres foi fonte de inspiração fora das telonas, fazendo com que pessoas nos Estados Unidos, Londres, Egito, Brasil e outros tantos tentassem replica-la.

Claro que não dá para afirmar que as manifestações e protestos pelo mundo não aconteceriam se Moore não tivesse escrito sua obra – soaria até muito ingênua uma afirmação  que ignora todos os outros fatores que levaram essas ações acontecerem -, porém com toda certeza elas seriam diferentes, ao menos em sua representação. As máscaras de Fawkes viraram o símbolo de luta da população contra o opressor,  diversas brazilprotestomascarafogo17junapfrases de V se espalharam por redes sociais com tom de palavras de ordem, e a canção que abre esse texto virou hino para muitos.  Os enfrentamentos e as dificuldades que iam acontecendo nas manifestações brasileiras também ganharam contornos claramente inspirados na trama de Moore, tudo virava incentivo, os problemas viraram provações, provocações, que V enfrentaria. What Would V Do?  – O que V faria? – era uma pergunta que pairava no inconsciente de muitos ali presentes. Não é atoa que a prisão de manifestantes e jornalistas que portavam vinagre (substância que alivia os efeitos do gás lacrimogêneo)  deu inicio a uma serie de sátiras, protestos e movimentos intitulados V de Vinagre. O grupo Anonymous, utilizando a máscara de Fawkes se organizou e realizou  ataques cibernéticos a grandes empresas, fazendo com que empresários de todo o mundo temessem o irônico sorriso que estampado na boca das máscaras. Fawkes virou o fantasma do natal passado, presente e futuro de poderosos que há muito não se assustavam, fazendo  palavras do personagem de Moore, como “O povo não deve temer seu estado. O estado deve temer seu povo“, se tornarem cada vez reais.

Claro que muitos dirão que não precisam saber disso para se manifestar, o que pode até ser verdade, porém eu não vejo razão pela qual a Conspiração da Pólvora deveria ser esquecida.

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Hitler pimpão

Ciente de como esse texto pode ser mal interpretado, vou tentar escrevê-lo da forma mais jornalístico-imparcial possível, deixando toda a adjetivação só no título mesmo.

Sabe Adolf Hitler, aquele pintor famoso? É, aquele escritor! Não? Bom, eu acredito que esse homem se expôs o suficiente para que sua mente fosse uma das mais estudadas da história da humanidade. E essa exposição não foi durante seu período como líder do Partido Nazista não.

“Mein Kampf” (Minha Luta) é o livro que Hitler escreveu quando esteve na prisão, em 1924 e 1925. Nele o ditador junta as teorias socialistas e racialistas para elaborar a tese nazista, criando, assim, um guia ideológico, uma verdadeira bíblia nazista, item obrigatório para cidadãos de todas as idades na Alemanha daquela época. Ah, claro, Hitler também aproveita para contar um pouco de sua história, a origem de seu militarismo, fundamentada com fatos da sua infância. Coisa pouca.

A novidade é que o livro, proibido desde 1945, vai voltar a ser publicado. Ele estava sob posse do Estado da Baviera, que zelava para que as idéias nacional-socialistas não fossem mais divulgadas. O problema é que os direitos cairão em domínio público em 2015, quando poderá ser traduzido e publicado livremente. Sendo assim, o editor Peter McGee resolveu ir preparando o povo, e soltará trechos do Mein Kampf, acompanhados de comentários de um pesquisador, situando-o historicamente e deixando claro a loucura das idéias neles expostos, para a alegria do Papa. Segundo McGee, “Uma vez exposto, ele pode retornar à lata de lixo da literatura”.

“Maritime Nocturno” é um dos quadros que Hitler pintou quando tentava ganhar a vida como artista em Viena, aos 23 anos. Algumas de suas obras estão com a família de um colega de Hitler na época, que eventualmente as oferece para leilão. Essa acaba de ser arrematada pela bagatela de 73 mil reais (mais do que o valor estimado), em uma casa de leilão na Eslováquia. O quadro tem 60 por 48 cm e mostra a lua cheia iluminando o mar. O nome do comprador não foi revelado.

O que você acha? Vale a pena ostentar uma obra de Adolf Hitler? Não, não o ditador… o homem pensante! Nós somos homens pensantes, e se usarmos nosso bom senso, nada do que foi pregado por ele e ainda é pelos neonazistas nos influenciará.

Saldo final e incontestável de tudo isso: como você pode ver, o multi-talentoso Hitler não foi talentoso em nada do que fez.

Dica pós-natal: A Batalha do Apocalipse

Olá meus queridos Veras! Quanto tempo que não venho até vocês com um pouquinho de cultura (inútil ou útil, é sempre mais informação). Enfim, hoje venho até vocês fazer uma recomendação pós-natal. Sim, Veras, vocês estão se perguntando “Mas por que você está recomendando agora, logo após o natal?”. A resposta é simples, muitos de vocês ganharam dinheiro de natal, ou ainda têm aquele ínfimo restinho do 13º e não sabem no que usar esse dinheiro. Por isso estou aqui para dar-lhes uma luz sobre este problema.

A recomendação da vez é um livro que eu ainda não terminei e pretendia fazer este post quando terminasse, mas o livro é tão bom, tão envolvente, que eu não estou mais conseguindo não escrever sobre o mesmo.

O livro do qual estou falando é de um autor brasileiro, relativamente novo até. Estou falando de A Batalha do Apocalipse: Da Queda dos Anjos ao Crepúsculo do Mundo de Eduardo Spohr. Fãs do site Jovem Nerd e do podcast Nerdcast já estão familiarizados com o livro e com o autor que ocasionalmente participa de alguns episódios do cast.

Capa da versão exclusiva vendida pelo site Jovem Nerd.

Publicado pela primeira vez em 2007 pelo site Jovem Nerd, em 2009 pelo selo editorial do site e em 2010 pela editora Verus conta a história de Ablon, um anjo renegado, condenado a vagar pela Terra em seu avatar carnal por ter se rebelado junto com outros anjos contra a tirania do Arcanjo Miguel e suas matanças na Terra. Conta também a história de Shamira, uma feiticeira necromante que Ablon conheceu vários anos antes do nascer de Cristo. Sim meus caros, o livro se passa em um período próximo no Rio de Janeiro, mas um dos melhores pontos do livro é que ele conta várias das antigas aventuras de Ablon, passando pela China, Jerusalém, Grécia e outras localidades antigas.

Segundo o livro, Ablon é um querubim, uma raça de anjos guerreiros, predadores treinados, disciplinados e experientes em combate. Além dos querubins, o livro detalha outras castas angélicas e infernais como os serafins, malakins, ishins entre outros.

Eduardo Spohr escreve de uma forma fácil, porém bem detalhada, criando assim uma leitura envolvente, agradável e que não cansa nunca! É sério Veras, o livro é muito bom, tão bom que tenho receio de terminar e ver esse universo que “A Batalha do Apocalipse” criou em minha mente acabar também. Ver a angústia de uma Terceira Guerra Mundial ser declarada no plano terrestre e ainda ver ao mesmo tempo uma guerra no plano

Capa da versão encontrada nas livrarias.

espiritual entre os rebeldes liderados antes por Ablon e agora pelo Arcanjo Gabriel, contra os infernais de Lúcifer e os corruptos de Miguel é uma sensação tão única, tão épica que para mim, “A Batalha do Apocalipse” está eternizado como um dos melhores livros que já li.

O livro pode ser encontrado na versão comum ou então na edição especial com capa dura, capítulos extras, mapas da hierarquia angelical e infernal, explicação dos sete céus, detalhes de cada casta angélica, cada uma de suas habilidades, enfim, são tantos extras que fazem realmente valer a pena uma edição especial desta épica obra brasileira.

O livro contém tudo: ação, romance, batalhas épicas, política, história, fantasia, TUDO! Simplesmente não tenho nada para falar mal do livro. E deixarei bem avisado aqui, a todos meus leitores, não importando a sua religião ou crença, o livro NÃO tenta te dar nenhuma moral religiosa (sou extremamente contra isso). Ele simplesmente transforma o universo da Bíblia em uma história épica e envolvente, criando uma trama ao redor dos anjos e de sua política.

É isso meus caros Veras, estava com saudades de escrever aqui e entreter vocês, espero que tenham gostado. Até logo!.

Pop árvore

Veraaas, que saudades de escrever aqui, juro! E eu sei que vocês estavam com saudades também!… not. Anyway, eu garanto que os três que fazem o blog do Elvis aqui aprenderam muuuito nesse tempo que ficaram sem escrever. Logo, preparem-se porque preparamos umas coisas animaaais pra vocês 😉

Mas vamos ao ponto! Hoje é véspera de natal \o/ E isso significa que vou gastar todo o meu dinheiro para dar uma cópia de qualquer filme que falamos aqui no Vera pra cada um dos leitores e ainda por cima vou escrever um post natalino!

Isso mesmo, nesse post eu separei simplesmente os melhores enfeites de Natal do mundo! E o melhor, você pode fazê-los pra por na sua árvore! Ou pelo menos tentar né? Simboranegads.

Mario, o encanador que fez história, o personagem simplesmente marcou gerações, virou ícone e ainda tem uma piada do nível “é pave ou pacome?“. Por que não ter um desses na sua árvore de natal? Além de dar aquele ar super nerd-cult, vai ficar super bonitinho. Sério.

O mais legal é que esse é facílimo de fazer, o site que ensina a fabricá-los se chama Instructables e é especializado em ensinar a galera a fazer suas próprias coisas. Faz parte de um grupo de sites que investem no DIY (Do It Yourself – que pode ser traduzido como “Faça você mesmo”) e ensina passo a passo montar esse, e os outros enfeites que eu vou colocar aqui embaixo. Pra ver certinho é só clicar aqui .

O próximo ornamento que eu escolhi é especial para os fãs de música eletrônica, é um enfeite do DeadMau5. Mas Fe, quem é esse DeadMau? Jovem padawan, ele é simplesmente um dos maiores Djs do mundo! Esqueça Guetta, sério. Bom, não vou
entrar muito nisso porque um post especializado nesses Djs já está nas cozinhas Verianas, mas já vou colocar um videozinho pra vocês irem se familiarizando com o Rato cabeçudo.
O legal desse enfeite é que ele brilha, assim como o ratão original. Tá, não é tão fácil de fazer como o do Mario ali em cima, maaas o resultado é super foda. Pra acessar o link é só clicar aqui.

Vamos lá, Música, Games, falta o que pra completar o que esses Veras gostam de ler nesse blog? Bom, de prima vem na minha mente filmes e… livros. Então porque não usar os dois de uma vez só? Vou trazer aqui enfeites das duas maiores franquias inspiradas em livros e que foram pro cinema, ou seja: Senhor dos Anéis e Harry Fucking Potter. O enfeite da saga do Frodo é nada mais nada menos do que o Olho de Sauron, super simples de ser feito também, e o resultado fica super legal. É só clicar aqui pro passo a passo.
Já a história que tem Aquele-que-não-deve-ser-nomeado como vilão tem um enfeite que dá mais trabalho pra fazer, mas também não é nada extraordinariamente difícil de ser feito. O enfeite dos Potter pode ser visto clicando aqui. É o simbolo das insignias da morte, que não só dão título ao ultimo livro, como também explicam muitas pontas soltas ao longo da história, e moldam a trama do último livro. E vou confessar, acho que é o meu favorito entre esses aqui, porque é simplesmente lindo.

Agora o último enfeite, mais do que lindo, mais do que legal… é delicioso. O alimento favoritos dos seus Veras, pode estar na sua árvore de natal! Sim estou falando dele. Bacon. Esse é o enfeite mais épico de todos, porque além de ser fácil de fazer, ele é super fofo é uma daquelas coisas típicas que seus amigos vão ver e querer roubar.
Se você não está entendendo o porque eu fiquei tão animado, é só clicar aqui e se apaixonar.

Você deve estar pensando “Porra, porque você não postou isso antes? Agora já está muito em cima da hora!”. Realmente, mas a árvore só é desmontada em Janeiro! E porque não enfeitar esse trambolho de árvore que fica no meio da sua sala? E além do mais, sempre temos um próximo natal, ou não, certo maias? Trohohoho 😉

Um problema a menos: um comparativo das alternativas que a cidade oferece para os estudantes

Entrar na faculdade é uma grande conquista para qualquer jovem, digno de muita

comemoração. Mas, cedo ou tarde, a hora de estudar chega. Nos vemos em meio a
anotações, apostilas, cadernos e livros enormes. Uma das maiores preocupações
em meio a isso tudo é com relação ao dinheiro. No começo, o estudante ainda não
tem condições de conseguir um estágio, e pode depender financeiramente dos
pais. Os livros didáticos em sua maioria são caros, principalmente pelo grande
conteúdo que ele pode trazer, e somando todas as matérias, o saldo no fim do
semestre pode ser negativo. Mas será que não há nenhuma alternativa para isso
tudo? Muita cultura está livre pela cidade, ou pelo menos a um preço acessível,
e existe sim como driblar as despesas, mas descobrimos que nem todos sabem
aproveitar.

Avenida Paulista. Tráfego intenso de pessoas e carros em sua superfície, e também
abaixo dela: são três estações de metrô, alguns cinemas e livrarias que se confundem e confundem a quem não conhece a maior avenida do país e suas peculiaridades. No encontro com a Rua da Consolação, existe um túnel subterrâneo que em vez de dar espaço para vagões, dá para cultura: um sebo. A associação se chama Via Libris, mas é mais conhecida como “A Passagem”. Mantido por Odete Machado, presidente da associação, o sebo existe há 6 anos e sempre arruma um jeito de renovar seus produtos. “Aceitamos doações, que geralmente vem de grandes escritórios. Compramos pouco, já que esses livros didáticos ficam desatualizados rapidamente. O que a gente não usa, damos para reciclagem”, explica Odete. Além de um grande acervo de livros didáticos, paradidáticos e clássicos da literatura, a passagem também reserva um espaço para exposições de arte. Todo mês, um artista diferente da própria comunidade expõe seus trabalhos e pintura ou escultura. Sobre a fama de sua galeria, Odete nos mostra todo o seu desprendimento e despreocupação. “Todo mundo aqui vive uma vida muito simples, não temos carro nem cartão de crédito. Não fazemos concorrência com grandes livrarias, aqui a linguagem é outra. Muita gente aparece aqui embaixo só porque estava perdida lá em cima”. A Via Libris funciona todos os dias, até as 22h.

Vanessa Gimenez, 18, é estudante de Direito na Universidade Mackenzie, e é uma das que mais sofre com isso tudo. A própria universidade conta com grandes bibliotecas
e um bom acervo disponível para aluguel pelos alunos, mas o curso tem uma bibliografia básica extensa, e não permite hesitação. Assim, após fazer uma breve pesquisa, ela comprou seus livros em uma grande livraria. “Como a maioria são coleções,  é importante para o primeiro ano. Com certeza é mais prático ter o livro em casa do que ficar renovando na biblioteca”, afirma. Quanto aos sebos, também não foram esquecidos. “Cheguei a ir em dois sebos aqui perto, mas não achei o que queria. Procurando a internet vi que só encontraria naqueles enormes do centro”.

Nós listamos alguns livros essenciais para a vida acadêmica e fomos pesquisar
preços e disponibilidades, e encontramos grandes contrastes, mas também boas alternativas. O livro “Ética a Nicômaco” de Aristóteles, por exemplo, custa em média R$ 35,00 na renomada Livraria Cultura da Av. Paulista. “Temos de tudo aqui, é só procurar na sessão certa”, nos diz uma atendente. Em um sebo, pode-se achar o mesmo volume por R$ 15,00. Já “Direito Civil Brasileiro” de Carlos Gonçalves, custa em torno de R$ 90,00 nas livrarias, mas existem 14 exemplares disponíveis de graça na biblioteca do Mackenzie, e apenas dois estão alugados.

Vivemos no século XXI, que pode ser um caos completo na cidade de São Paulo algumas vezes. Nem por isso podemos nos esquecer do que nos é oferecido por direito. Seja por programas do Governo ou simplesmente iniciativas de gente que quer
fazer o bem para sua comunidade, quem precisa sempre encontrará alternativas. Desse modo, os estudantes podem ficar um pouco mais aliviados, e sofrerem apenas nos estudos, e não mais no bolso.

Maus: nazismo em quadrinhos

Se você não sabe, o alemão é uma lingua anglo-saxônica. E tem por isso uma semelhança, principalmente na pronúncia, com o inglês. Então eu te desafio, caro leitor: que palavra em inglês Maus te remete? 10 pontos para a Grifinória se você disse Mouse. E é estremamente importante para esse post saber que a palavra que parece ser o oposto de “bons” é apenas “rato” em alemão.

Passado o momento poliglóta vou me direcionar um pouco. Hoje vou mais uma vez dar uma dica de livro pra vocês, mas dessa vez o livro é contado não só por letras e linhas, mas também por quadros e imagens.

Não vou cair no clichê nerd de dizer que HQs não são HQs, são Grafic Novels, acho que hoje em dia um rótulo não pode valer mais do que um conteúdo. Mas chamar Maus de gibi, também não seria conveniente. Gosto de me referir à obra como um livro, não por achar que gibis não podem ser bons (longe disso!), mas pelo fato de ser como livro que ela me conquistou. Seus desenhos são importantes, mas suas falas que emocionam, sempre curtas, sempre marcantes. Apesar disso, o que realmente impressiona em Maus é como o autor, Art Spiegelman, consegue deixar as imagens em segundo plano e justamente revolucionar a literatura… com as próprias.

Digo isso porque a história do livro não é reveladora, surprendente ou coisa do genêro. Muito pelo contrário, o “livro” iria fazer parte da gigantesca corrente judáico-estudounidense que domína as mídias comunicativas desde o final da Segunda Guerra se não surprendesse na maneira que retrata a vida de Vladek Spiegelman.

Os sobrenomes não são iguais por coincidência, a obra é a história do pai do autor, que sentiu na pele o lado judeu do Holocausto. Mas qual é o grande diferencial de Maus que eu tanto falo? Simples, porém genial. Art quando resolveu ilustrar os personagens de seu livro, escolheu substituir pessoas por animais. A conclusão? Uma sensação totalmente nova sobre como eram as relações multiculturais da época. Poloneses judeus são ratos (Há! você achou o porque do título), Alemães nazistas são gatos (dá pra entender o porque né?), Estadounidenses, cachorros, e assim por diante. Spielgelman ilustra situações que fazem sua cabeça girar, quando as atitudes e a trama fazem você realmente acreditar que ali são apenas animais, ele coloca um rato no meio da comida dos judeus, só pra te lembrar que ali são na verdade pessoas… apenas agindo como animais.

Outra coisa que marca Maus é que a narrativa vai desde antes do Holocausto até basicamente os dias atuais, mas sempre te prendendo de forma que vai fazer você ter que parar de ler alguns momentos para não ficar mal, e até mesmo chorar em alguns techos.

Art Spiegelman faturou com a obra dez prêmios de grande nome mundial. Entre eles um Pulitzer (o prêmio maior quando se trata de jornalismo e literatura) e um Eisner (o maior do mundo quando o assunto são HQs), mostrando para o mundo todo que Maus não era só mais uma histórinha, e sim um novo clássico contemporâneo.

Bom é isso por hoje, espero que meus amados Veras gostem dessa obra-prima e que aprendam um pouquinho mais sobre a minha matéria favorita na época da escola: História.

Trabalho de pesquisa: o popular e o essencial

Descobri um novo método de arrumar assuntos para postar aqui: epifania. Tive outra, e dessa vez ao olhar pros meus livros. Você já deve ter ouvido falar de 1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer, livro em que Micheal Lydon, editor e co-fundador da revista Rolling Stone, e mais 90 jornalistas e críticos do mundo inteiro listam, por época, 1001 álbuns essenciais para qualquer fã de música de verdade. Os caras entendem mesmo de música, e fazem um apanhado geral de história de 1001 trabalhos, sem preconceito de estilo ou nacionalidade, mas com o critério da qualidade.

Você também já deve ter ouvido falar da Billboard, revista semanal norteamericana, fundada há mais de 100 anos e super entendida do mundo e da indústria musical, conhecida até como “a bíblia da música”. Toda semana eles pesquisam e atualizam um ranking chamado Hot 100, que mostra as 10 músicas mais vendidas e mais tocadas nas rádios, e serve para medir a popularidade de um artista ou álbum. A lista sempre foi realmente usada no mundo inteiro como parâmetro de aceitação do público.

Agora, a minha contribuição nisso tudo. Será que os artistas e álbuns mais populares listados pelo Hot 100 são realmente essenciais? Será que são um dos 1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer? Suspeitando da resposta, mesmo assim fui com muita boa vontade às pesquisas.

Minha professora de Metodologia do Trabalho Científico ficaria orgulhosa (ou não), pois depois de muito tempo de árduo trabalho folheando livros e navegando por sites, achei uma resposta. Eu trouxe aqui pra vocês, meus Veras, uma lista dos poucos artistas que apareceram nas duas listas nos últimos 20 anos. Pasmem comigo.

Em 1994, (lembrando que eu comecei por 1991 e fui indo ano por ano) Mariah Carey lança Butterfly, álbum essencial. Em setembro, o single Honey figura como música popular da semana.

Em 1998, Lauryn Hill lança The Miseducation of Lauryn Hill, álbum essencial. Em novembro, o single Doo Wop (That Thing) figura como música mais popular da semana. Essa você deve lembrar:

Em 1999, Britney Spears lança …Baby One More Time, álbum essencial. Em fevereiro, o single …Baby One More Time figura como música mais popular da semana.

Em 2000, Madonna lança Music, álbum essencial. Em setembro, o single Music figura como música mais popular da semana.

Em 2001, Destiny’s Child lança Survivor, álbum essencial. Em janeiro, o single Independent Women Part I figura como a música mais popular da semana. Em agosto, o single Bootylicious figura como música mais popular da semana.

Em 2003, Outkast lança Speakerboxx / The Love Below, álbum essencial. Em dezembro, o single Hey Ya figura como música mais popular da semana. Quem disser que nunca cantou essa tá mentindo:

Em 2004, Kanye West lança The College Dropout, álbum essencial. Em fevereiro, o single Slow Jamz (esse com participação de Twista e Jamie Foxx) figura como música mais popular da semana.

E… fim! 7 é o número de cantores que foram agraciados duplamente pelo público, pelos dois tipos de audiência: o popular e o cult. Ninguém aparece mais de uma vez, apenas Destiny’s Child (que por coincidência ou não revelou a diva Beyoncé) conseguiu sucesso com duas músicas de um mesmo álbum. Considerações crueis finais: se os editores de 1001 Discos não tivessem considerado como essenciais alguns artistas de música pop, ninguém teria aparecido nas duas listas, porque eu não vi nenhuma banda de rock na lista da Billboard. Foram ignorados pela audiência americana álbuns como Nevermind do Nirvana, Ok Computer do Radiohead e Californication do Red Hot. O único daqueles que eu recomendo pra você, Vera, é o do Kanye, que eu realmente gosto.

Só por curiosidade, eu fui pesquisar lá nas antigas, para ver como essa situação era nos anos 60. Em 1966, esses são os artistas que aparecam nas duas listas (todos no mesmo ano!): Beatles – Revolver (We Can Work it Out e Paperback Writer), Beach Boys – Pet Sounds (Good Vibrations), Rolling Stones – Aftermath (Paint it Black), The Mamas and The Papas – If You Can Believe Your Eyes And Ears (Monday, Monday) e Simon and Garfunkel – Parsley, Sage, Rosemary and Thyme (The Sound of Silence). Isso diz alguma coisa pra vocês sobre a evolução do nosso gosto musical?

Me desculpem pelo post enorme, mas eu achei tudo isso realmente interessante. Acho que esse vai ser meu TCC na faculdade, vou tirar 10. Não.