The good days are over


Ninguém nunca acreditou quando eu disse que eles não eram apenas uma lenda. Enfim, agora os que não acreditavam estão mortos mesmo, não faz mais diferença.

Tudo começou há umas duas semanas. Os jornais diziam que era um novo tipo de ataque terrorista, diziam que estavam usando armas biológicas. Isso não me parecia ser ataque terrorista, até porque, acontecia no mundo todo, inclusive no Oriente Médio. Estou aqui na Moóca há 12 dias. Embora não morasse neste bairro, meus pais sempre viveram por aqui, conheço bem o lugar. Aproveitei esse conhecimento todo pra achar um bom lugar para ficar. Encontrei uma mercearia na Rua Juventus perfeita pra ficar: água, comida, utensílios e além disso, havia uma boa casa nos fundos. Tinha tudo o que eu precisava, só faltava uma boa arma agora. Ao revirar a casa atras de algo para me defender, acabei encontrando uma Desert Eagle, também conhecida por ser uma das pistolas mais potentes embora só coubesse sete balas por pente. Logo que encontrei a arma, ouvi gritos de socorro por perto. Percebi que se tratava de uma mulher e três filhos a umas duas casas ao lado. Olhei pro telhadinho da casa e escalei, alcancei a casa onde ela estava encurralada por duas criaturas disformes, tinham uma aparência humanoide embora estivessem com os corpos apodrecendo. Elas emitiam grunhidos e gemidos enquanto tentavam alcançar a mulher com seus braços. Sem pensar nas consequências, atirei nos dois bem na cabeça, parando eles na mesma hora.

Ela me disse que, nem ela nem seus filhos, haviam sido mordidos. Ela se chamava Alice e me contou um pouco mais sobre sua vida e sobre seu marido chamado Rogério. Ele voltaria de uma viagem marítima em pouco tempo, temia pela vida dele. Os disparos que eu dei atraíram muitos das criaturas, tivemos que fugir pelos telhados, em uma das casas encontramos mais sobreviventes, um grupo de uns vinte mais ou menos.

No meio a toda a confusão, ouvimos vozes humanas e o som de um carro se aproximando. Era Rogério com mais dois parceiros, eles estavam em perigo, resolvi ajudá-los. Peguei minha pistola e pulei o muro da casa, quando eu os avistei, zumbis estavam indo ao ataque, com um disparo certeiro eu o derrubei. Eles me olharam com espanto perguntando “Porque você matou este homem?”, eu, com um sorriso sádico perguntei-lhes “Que homem?” neste momento eles perceberam o que estava acontecendo. Eles se apresentaram, um deles era sim Rogério, o marido de Alice. Os outros dois se apresentaram como Yuri e Thiago. Yuri não tinha mais família, diferente de Thiago que procurava por sua esposa. Levei eles ao mesmo esconderijo onde eu estava. Rogério se emocionou ao ver sua esposa e filhos. Tentávamos consolar Thiago, mas no fundo sabíamos que nada que falássemos consolaria a dor de ainda não ter encontrado sua família.

Ao cruzar olhares com Yuri, percebi que ele também estava apreensivo. Ele tinha a mesma preocupação que eu, ambos sabíamos que ali não seria seguro por mais tempo. Nossos recursos estavam se esgotando, nossa munição era escassa e cada vez mais dessas criaturas iam se aglomerando na região. Enquanto pensávamos, ouvimos um grito vindo da entrada do esconderijo. Zumbis haviam invadido e já haviam mordido alguns dos sobreviventes. Eu, por não ter ninguém para defender, peguei minha pistola e fugi. Fugi para a casa dos meus pais. Existia uma chance de eles ainda estarem lá, pequena, mas existia.

Ao chegar na porta da casa, a decepção e a dor vieram misturadas. Meus pais haviam sido mordidos e estavam presos dentro de casa. Tornaram-se serem disformes, sem vontade própria, movidos por uma fome insaciável e incontrolável. Sabia o que devia ser feito, mas saber que eram meus pais ali na minha frente me impedia de fazer o que eu devia, não queria atirar neles.

Olhei para eles, peguei minha arma, percebi que só tinha uma bala ainda. Nessa hora uma gota gelada de suor passou pela minha testa, olhei para cima esperando ver um sinal. A única coisa que vi foi meu corpo caindo, segurando a arma sem balas e Zumbis rodeando meu corpo morto.

Este conto foi produzido em parceria com The universal corporation of an autonomous person OzInutil. para saber mais sobre Yuri e ler outro lado deste conto clique aqui.

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