Maus: nazismo em quadrinhos


Se você não sabe, o alemão é uma lingua anglo-saxônica. E tem por isso uma semelhança, principalmente na pronúncia, com o inglês. Então eu te desafio, caro leitor: que palavra em inglês Maus te remete? 10 pontos para a Grifinória se você disse Mouse. E é estremamente importante para esse post saber que a palavra que parece ser o oposto de “bons” é apenas “rato” em alemão.

Passado o momento poliglóta vou me direcionar um pouco. Hoje vou mais uma vez dar uma dica de livro pra vocês, mas dessa vez o livro é contado não só por letras e linhas, mas também por quadros e imagens.

Não vou cair no clichê nerd de dizer que HQs não são HQs, são Grafic Novels, acho que hoje em dia um rótulo não pode valer mais do que um conteúdo. Mas chamar Maus de gibi, também não seria conveniente. Gosto de me referir à obra como um livro, não por achar que gibis não podem ser bons (longe disso!), mas pelo fato de ser como livro que ela me conquistou. Seus desenhos são importantes, mas suas falas que emocionam, sempre curtas, sempre marcantes. Apesar disso, o que realmente impressiona em Maus é como o autor, Art Spiegelman, consegue deixar as imagens em segundo plano e justamente revolucionar a literatura… com as próprias.

Digo isso porque a história do livro não é reveladora, surprendente ou coisa do genêro. Muito pelo contrário, o “livro” iria fazer parte da gigantesca corrente judáico-estudounidense que domína as mídias comunicativas desde o final da Segunda Guerra se não surprendesse na maneira que retrata a vida de Vladek Spiegelman.

Os sobrenomes não são iguais por coincidência, a obra é a história do pai do autor, que sentiu na pele o lado judeu do Holocausto. Mas qual é o grande diferencial de Maus que eu tanto falo? Simples, porém genial. Art quando resolveu ilustrar os personagens de seu livro, escolheu substituir pessoas por animais. A conclusão? Uma sensação totalmente nova sobre como eram as relações multiculturais da época. Poloneses judeus são ratos (Há! você achou o porque do título), Alemães nazistas são gatos (dá pra entender o porque né?), Estadounidenses, cachorros, e assim por diante. Spielgelman ilustra situações que fazem sua cabeça girar, quando as atitudes e a trama fazem você realmente acreditar que ali são apenas animais, ele coloca um rato no meio da comida dos judeus, só pra te lembrar que ali são na verdade pessoas… apenas agindo como animais.

Outra coisa que marca Maus é que a narrativa vai desde antes do Holocausto até basicamente os dias atuais, mas sempre te prendendo de forma que vai fazer você ter que parar de ler alguns momentos para não ficar mal, e até mesmo chorar em alguns techos.

Art Spiegelman faturou com a obra dez prêmios de grande nome mundial. Entre eles um Pulitzer (o prêmio maior quando se trata de jornalismo e literatura) e um Eisner (o maior do mundo quando o assunto são HQs), mostrando para o mundo todo que Maus não era só mais uma histórinha, e sim um novo clássico contemporâneo.

Bom é isso por hoje, espero que meus amados Veras gostem dessa obra-prima e que aprendam um pouquinho mais sobre a minha matéria favorita na época da escola: História.

Uma resposta em “Maus: nazismo em quadrinhos

  1. Só passando para retribuir o comentáro e a visita! E po, nazismo nos quadrinhos é bem inusitado, deve ser muito interessante. Abração!

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