Trabalho de pesquisa: o popular e o essencial


Descobri um novo método de arrumar assuntos para postar aqui: epifania. Tive outra, e dessa vez ao olhar pros meus livros. Você já deve ter ouvido falar de 1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer, livro em que Micheal Lydon, editor e co-fundador da revista Rolling Stone, e mais 90 jornalistas e críticos do mundo inteiro listam, por época, 1001 álbuns essenciais para qualquer fã de música de verdade. Os caras entendem mesmo de música, e fazem um apanhado geral de história de 1001 trabalhos, sem preconceito de estilo ou nacionalidade, mas com o critério da qualidade.

Você também já deve ter ouvido falar da Billboard, revista semanal norteamericana, fundada há mais de 100 anos e super entendida do mundo e da indústria musical, conhecida até como “a bíblia da música”. Toda semana eles pesquisam e atualizam um ranking chamado Hot 100, que mostra as 10 músicas mais vendidas e mais tocadas nas rádios, e serve para medir a popularidade de um artista ou álbum. A lista sempre foi realmente usada no mundo inteiro como parâmetro de aceitação do público.

Agora, a minha contribuição nisso tudo. Será que os artistas e álbuns mais populares listados pelo Hot 100 são realmente essenciais? Será que são um dos 1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer? Suspeitando da resposta, mesmo assim fui com muita boa vontade às pesquisas.

Minha professora de Metodologia do Trabalho Científico ficaria orgulhosa (ou não), pois depois de muito tempo de árduo trabalho folheando livros e navegando por sites, achei uma resposta. Eu trouxe aqui pra vocês, meus Veras, uma lista dos poucos artistas que apareceram nas duas listas nos últimos 20 anos. Pasmem comigo.

Em 1994, (lembrando que eu comecei por 1991 e fui indo ano por ano) Mariah Carey lança Butterfly, álbum essencial. Em setembro, o single Honey figura como música popular da semana.

Em 1998, Lauryn Hill lança The Miseducation of Lauryn Hill, álbum essencial. Em novembro, o single Doo Wop (That Thing) figura como música mais popular da semana. Essa você deve lembrar:

Em 1999, Britney Spears lança …Baby One More Time, álbum essencial. Em fevereiro, o single …Baby One More Time figura como música mais popular da semana.

Em 2000, Madonna lança Music, álbum essencial. Em setembro, o single Music figura como música mais popular da semana.

Em 2001, Destiny’s Child lança Survivor, álbum essencial. Em janeiro, o single Independent Women Part I figura como a música mais popular da semana. Em agosto, o single Bootylicious figura como música mais popular da semana.

Em 2003, Outkast lança Speakerboxx / The Love Below, álbum essencial. Em dezembro, o single Hey Ya figura como música mais popular da semana. Quem disser que nunca cantou essa tá mentindo:

Em 2004, Kanye West lança The College Dropout, álbum essencial. Em fevereiro, o single Slow Jamz (esse com participação de Twista e Jamie Foxx) figura como música mais popular da semana.

E… fim! 7 é o número de cantores que foram agraciados duplamente pelo público, pelos dois tipos de audiência: o popular e o cult. Ninguém aparece mais de uma vez, apenas Destiny’s Child (que por coincidência ou não revelou a diva Beyoncé) conseguiu sucesso com duas músicas de um mesmo álbum. Considerações crueis finais: se os editores de 1001 Discos não tivessem considerado como essenciais alguns artistas de música pop, ninguém teria aparecido nas duas listas, porque eu não vi nenhuma banda de rock na lista da Billboard. Foram ignorados pela audiência americana álbuns como Nevermind do Nirvana, Ok Computer do Radiohead e Californication do Red Hot. O único daqueles que eu recomendo pra você, Vera, é o do Kanye, que eu realmente gosto.

Só por curiosidade, eu fui pesquisar lá nas antigas, para ver como essa situação era nos anos 60. Em 1966, esses são os artistas que aparecam nas duas listas (todos no mesmo ano!): Beatles – Revolver (We Can Work it Out e Paperback Writer), Beach Boys – Pet Sounds (Good Vibrations), Rolling Stones – Aftermath (Paint it Black), The Mamas and The Papas – If You Can Believe Your Eyes And Ears (Monday, Monday) e Simon and Garfunkel – Parsley, Sage, Rosemary and Thyme (The Sound of Silence). Isso diz alguma coisa pra vocês sobre a evolução do nosso gosto musical?

Me desculpem pelo post enorme, mas eu achei tudo isso realmente interessante. Acho que esse vai ser meu TCC na faculdade, vou tirar 10. Não.

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