Dica da semana: Apenas o Fim


Hoje a já tradicional dica da semana do Vera, é… Nossa, acabei de lembrar de quando dei meu primeiro beijo, e de quando fechei meu primeiro jogo de video-game… Apenas o Fim

WTF, Felipe!? Cadê aquelas introduções gigantescas, que pegam metade dos textos que introduzem as dicas que você posta aqui de sexta? E o que foi isso do beijo? E principalmente video-game? Acalmem-se, queridíssimos, não estou louco (só o necessário para ser um bom leitor e cinéfilo de plantão), e esse primeiro parágrafo foi  quase proposital.😉

A palavra ‘quase’ precedeu a última palavra do parágrafo acima por um único motivo: acredito que nenhuma pessoa que escreve, seja em um blog, um jornal, um papel de pão, que seja, consiga determinar 100% do que sai da sua cabeça. Acho que mesmo que se eu tivesse forçado menos a coisa, o meu texto seria um pouco mais comprimido, por ser atrelado ao filme que está. Mas passado o momento desabafo-escritor vou explicar o porquê do primeiro paragrafo🙂. Apenas o Fim é exatamente como o início deste texto, direto. Mas ao mesmo tempo, sofre uma série de flashbacks que parecem inúteis a primeira vista, mas se mostram imensamente importantes quando você percebe a delicadeza do filme.

A trama é muito, mas muito básica mesmo. Um estudante de cinema do Rio de Janeiro está quase entrando na sua primeira aula, quando sua namorada aparece e diz que irá desaparecer, e tem mais duas horas na cidade. Com isso ele tem duas opções: gastar esse tempo na cama, ou ter uma ultima conversa. Como o filme não é um pornô, já dá pra sacar qual é a escolha dele. Depois disso, é como se Brilho Eterno De Uma Mente Sem Lembranças ganhasse sua versão brazuca, com ainda menos ficção, e mais sentimento.

A graça do filme é justamente essa, toda vez que você ouve uma espécie de Revolution 9 (a música mais sinistra dos Beatles), o canto da sua boca vai começar a esboçar um sorriso, típico de quando você está curioso e se preparando para ouvir algo que lhe faça rir. E quando o final vai chegando, você começa a se perguntar se ela vai mesmo embora, afinal um casal que te conquistou durante duas horas não pode acabar assim!

O filme inteiro se passa dentro do campus da universidade, e tem como foco os dois protagonistas: Tom e Adrina, representados respectivamente por Gregório Duvivier  e Erika Mader. Além de algumas participações curtas, mas muito boas, como a de Marcelo Adnet, o filme tem um certo plus para quem nasceu no início dos anos 90, com milhares de referências a essa geração (que vão de Backstreet Boys a Mario, passando por nichos como Kingdom Hearts).

Tive a oportunidade de ver esse filme junto com seu diretor, Matheus Souza, lembro de ter achado o cara um moleque (assim como eu), e de não conseguir entender como alguém com 21 anos estava prestes a levar pra casa o premio de melhor filme na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. A resposta vem clara hoje na minha cabeça. Ele era apenas um moleque? Sim. Mas um moleque que consegue fazer com que um cinema sutil sobreviva na indústria cinematográfica que faz o mundo parecer um filme de Michael Bay.

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