Fighter… com S


Desde pequeno, sempre analisei se um filme de super-herói é bom pelo jeito que eu saia do cinema: se eu saísse normal, o filme não era bom. Mas se eu saísse achando que eu podia voar, soltar raio pelos olhos, andar pelas paredes fazendo a mãozinha do homem-aranha, o filme tinha conseguido me tirar daquela sala, e me transportado pro mundo dele, me feito entender, e participar de tudo aquilo. Em Foo Fighters: Back and Forth, eu sai com vontade de fazer música.

Sabe quando você é pequeno e acha que tudo é uma coisa só? E isso dura até o dia que  você está mudando de canal e POW… de repente passa pelo Animal Channel, onde você vê ali bem na sua frente um leão devorando um veado, e descobre que aquele animal não é um bloco, dentro dele existem tripas, ossos, e músculos. Pois é, o documentário sobre a banda é justamente esse leão, ele vai te mostrando desde o início que a banda não é uma coisa simples, bela e planejada; é complicada, decorrente de escolhas que magoam, quase sempre tomadas por instinto. O curioso é justamente isso, o filme em nenhum momento tenta tirar essas tripas da boca desse leão, muito pelo contrário, faz questão de mostrá-las para quem quiser ver, afinal como o próprio líder da banda diz pouco antes dos créditos, ele não mudaria nada.

O filme tenta mostrar que a banda, não se resume a Dave Grohl, mas também a Nate Mendel, Willian Goldsmith, Pat Smear, Taylor Hawkins, Franz Stahl, Chris Shiflett entre outros nomes que influenciam, assombram, e perseguem a banda (como Kurt Cobain). Por outro lado, tenta sempre deixar clara a hierarquia que Grohl aplica sobre o resto da banda, causando discussões, e até mesmo sendo a causa das trocas de músicos na banda, que foi muita falada na mídia durante toda a década passada. Mas ao mesmo tempo mostra sempre o lado humano do antigo baterista do Nirvana, e justamente o drama que foi gerado pela morte de Kurt, e o processo de começar uma nova banda do zero, sendo sempre comparada com o grunge de Nevermind. Para se ter uma ideia, o filme começa com fotos de Dave criança, e termina com ele de cara inchada compondo riffs de guitarra na garagem de sua casa, tentando arranjar tempo entre sua gravação e brincar com sua filha (que protagoniza algumas das mais divertidas cenas do longa).

O andamento de Wasting Lights

O filme é dividido basicamente em três partes: A primeira conta toda a história da banda, desde a entrada de Grohl no Nirvana, até os preparativos para o álbum de 2011 (que conta justamente com participações do produtor e do baixista da banda grunge noventista). A segunda é justamente a preparação desse novo CD, todos os processos de criação, e gravação que foram utilizados para transformar Wasting Light em algo palpável. O terceiro segmento é uma gravação em 3D do próprio álbum, dentro de um pequeno estúdio. Sinceramente, a primeira parte é simplesmente genial, o já premiado com oscar, James Moll, dirige o filme de modo que muita informação venha em um curto tempo, de forma que não te sufoca, mas vai te deixando no mesmo ritmo que as ágeis guitarras e baterias da banda. A segunda continua sendo interessante, fazendo você entrar dentro do processo criativo dos caras (com direito a ver rascunhos de letras sendo improvisadas, e um quadro gigantesco que é pintado conforme o avanço das gravações). Por outro lado, o show em 3D é simplesmente dispensável, afinal quem é fã da banda e já viu shows como o de Wembley (que é citado e mostrado no filme), ou o recente show no programa do Letterman (que pode ser visto aqui) vai achar essa apresentação dos Fighters um tanto quanto chata, afinal eles tocam apenas músicas do novo álbum, dando a sensação de que essa parte é simplesmente um merchan pro CD.

Anyway, o documentário é realmente muito bom, e não é atoa que conseguiu vender aproximadamente 10 mil cópias em nove dias (sim fora do Brasil, ele já está em DVD/Blu-ray), alcançando o primeiro lugar na Billboard, vai fazer você, que não conhece a banda, ter a chance de ter um primeiro contato com uma das maiores bandas desses últimos anos. E você que já conhece, ter uma maior noção sobre a música dos caras, e começar uma seção começar com Dave sendo um Deus, e terminá-la com ele sendo um homem.

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