Veraoke: Santa Chuva – Marcelo Camelo


Terça-feira, dia de letra bonitinha, yay. Já que nossa querida tuesday é um dia inútil que não tem nada na televisão nem nenhuma balada boa e seu dia se resume ao curso de inglês e esperar pelo jogo de futebol de amanhã. Então vamos lá, hora de conhecer ou rever uma música, eu me divirto escrevendo e você se diverte lendo e me xingando.

Pro Veraoke de hoje, vamos continuar na música nacional, dessa vez com um gênio da atualidade: Marcelo Camelo. O líder do Los Hermanos aproveitou o hiato da banda para lançar em 2008 seu primeiro álbum solo, um pouco mais intimista e bossa-novista (?). No disco, Camelo gravou uma versão definitiva de Santa Chuva, música que já havia tocado com os Hermanos em alguns shows. E ele conseguiu. Saiu uma obra-prima, um exemplo máximo do que ele faz de melhor: transformar em uma única letra belas histórias e diálogos de amor ou ódio, sempre com desfecho surpreendente.

Vai chover de novo,
deu na tv que o povo já se cansou de tanto o céu desabar.
E pede a um santo daqui que reza a ajuda de Deus,
mas nada pode fazer se a chuva quer é trazer você pra mim.

Vem cá que tá me dando uma vontade de chorar,
Não faz assim, não vá pra lá, meu coração vai se entregar à tempestade.

Quem é você pra me chamar aqui se nada aconteceu?
Me diz, foi só amor ou medo de ficar sozinho outra vez?

Cadê aquela outra mulher?
Você me parecia tão bem,
A chuva já passou por aqui, eu mesma que cuidei de secar.

Quem foi que te ensinou a rezar?
Que santo vai brigar por você?
Que povo aprova o que você fez?
Devolve aquela minha tv que eu vou de vez.

Não há porque chorar por um amor que já morreu.
Deixa pra lá, eu vou, adeus.
Meu coração já se cansou de falsidade.

É triste, chega a dar dó. Na música, a discussão de um casal já separado, ou pelo menos a tentativa de conversa da parte mais fraca dos dois. Na primeira parte, quem nos fala é o homem, desesperado por reatar o relacionamento, arrependido depois de ter feito cagada. Ele chama a mulher e tenta puxar assunto com um papo banal, e termina com um apelo (típico de nós homens, né). E aí vem a parte tensa: a mulher decide responder. E acaba com ele. Ela já começa com “Quem é você pra me chamar aqui se nada aconteceu?”. A partir daí, uma série de ofensas, inclusive evidenciando a traição que ela havia sofrido. Camelo mescla respostas irônicas para cada coisa que o homem falou no começo (a mulher pede que ele devolva a tv dela, na qual ele tinha visto o jornal mais cedo, hilário).

Depois de tanto sofrer, ela se mostra forte e segue sua vida. No fim, a chuva que era a esperança do cara, não revela santidade nenhuma, a não ser pra mulher que a usa para lavar a sua alma. Sei lá se mostra a superioridade das mulheres, mas com certeza eu me senti medíocre depois dessa. Lindo.. ouçam Los Hermanos e vão achar várias historinhas dessas. Além de uma simples letra objetiva como as que ouvimos hoje em dia, uma letra indireta.

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